quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

MTV cancela episódio do "South Park" no México

 Leia abaixo o artigo publicado na Revista Veja sobre o cancelamento de um espisódio do South Park.

10 de fevereiro de 2010
Felipe Calderón e a bandeira mexicana (Foto: Reprodução)

 Em uma decisão de última hora, a rede de televisão MTV cancelou a exibição no México de um episódio do desenho South Park que contaria com "participação especial" do presidente mexicano Felipe Calderón. No programa, que iria ao ar na próxima segunda-feira, Calderón é retratado como um governante que desperdiça dinheiro e irrita a comunidade internacional.
Segundo a MTV, a transmissão do episódio foi cancelada no México porque Calderón aparece em frente a uma bandeira de seu país, o que poderia ser considerado ilegal pelas autoridades mexicanas. No México, existe uma lei que diz que a bandeira e outros símbolos nacionais precisam ser tratados com respeito. A multa para quem desrespeita a regra é de 52.590 pesos mexicanos, o equivalente a cerca de 7.400 reais.
Em um comunicado oficial, a MTV pede desculpas ao fãs do programa pelo cancelamento do episódio, que havia sido amplamente divulgado. Eric Zermeno, porta-voz da MTV no México, disse que eles decidiram adiar o episódio inteiro em vez de apenas cobrir a bandeira artificialmente para tentar evitar uma multa. "Decidimos não alterar a imagem porque a reação seria ainda pior", disse Zermeno.
Luiz Estrada, porta-voz do Ministério do Interior do México, disse que o governo não recebeu nenhum pedido formal por parte da MTV para a exibição do episódio. Em 2008, a cantora pop Paulina Rubio foi multada por posar nua enrolada na bandeira mexicana para uma sessão de fotos de uma revista espanhola.

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Comentário

Provavelmente a foto de um político corrupto agarrado à bandeira não seria considerado desrespeito.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A Pornografia Intelectual de Lula

Nosso colega de chiqueiro, Reinaldo Azevedo, fuçando em sua coleção de pornografia antiga, encontrou uma pérola perdida em uma Playboy de 1979, e não foi uma foto de Farrah Fawcett, foi algo muito mais bizarro, uma entrevista do então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva.

Leia abaixo os trechos mais picantes da entrevista.

LULA, O SEXO, OS ANIMAIS E AS VIÚVAS
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009 | 16:56

Vocês sabem: fim de ano é hora de jogar fora papel velho, livros de auto-ajuda que lhe mandam na suposição de que você precise deles, jornais e revistas que vão ficando pelo caminho. Regra geral: “Conteúdo que já estiver na Internet vai pro lixo, excetuando-se algumas edições históricas de momentos históricos”. Há algumas coisas aqui: o fim do AI-5, os grandes comícios das diretas, afastamento de Fernando Collor, atentados de 2001, mensalão… Não jogo essas coisas, não, ainda que uma ou outra possam estar na rede. E eis que me deparo com algo tornado também histórico: a entrevista de Lula à revista Playboy em 1979. TRINTA ANOS ESTA TARDE!

Pena não ser possível digitar tudo. Sabem aquela máxima de Wordsworth que vivo citando aqui, “o menino é o pai do homem” (depois “popularizada” por Machado de Assis)? Pois é… O sindicalista era o pai do presidente. Vou brindá-los com alguns trechos que revelam o, digamos, espírito do homem por dentro daquela figura pública mítica que começava a se plasmar ali.

Lula tinha, então, 34 anos e era visto por parte da esquerda como a grande novidade da política — uma liderança genuinamente operária. Outra parte torcia o nariz e rejeitava o que lhe parecia individualismo excessivo, falta de “consciência de classe” (risos), despolitização, flerte com o populismo etc. Eu tinha 18 anos à época, militava numa organização trotskista e o considerava um verdadeiro violador dos princípios da classe operária… Bem, já contei para vocês como eu e o mito Lula nunca nos demos: antes, eu era esquerdista demais para suportá-lo; depois, acho que virei democrata demais…

Na entrevista, como não poderia deixar de ser, Lula fala sobre sexo também. Destaco um trecho:

Playboy - Com que idade você teve sua primeira experiência sexual?
Lula - Com 16 anos.
Playboy - Foi com mulher ou com homem?
Lula (surpreso) - Com mulher, claro! Mas, naquele tempo, a sacanagem era muito maior do que hoje. Um moleque, naquele tempo, com 10, 12 anos, já tinha experiência sexual com animais… A gente fazia muito mais sacanagem do que a molecada faz hoje. O mundo era mais livre…

Comento
Evito comentar. Não considero o trecho propriamente político. Apenas relevo que, dada a pergunta, a resposta-síntese é esta: “Nem com mulher nem com homem”. Vamos a outro trecho. Este, com efeito, apela a algumas instâncias um tanto mais graves da vida pública.

Referindo-se a seu passado, Lula conta que já era viúvo e costumava sair da casa de uma namorada no começo da madrugada. Andava de táxi (!!!). Sempre o mesmo. O motorista lhe contara que o filho fora assassinado ainda muito jovem e que sua nora prometera jamais se casar. Pressuroso e solidário, Lula pensava — segundo ele próprio confessa: “Qualquer dia eu vou papar a nora desse velho…”. Agora sigo com Lula, entre aspas:

“Nessa época, a Mariza apareceu no sindicato. Ela foi procurar um atestado de dependência econômica para internar o irmão. Eu tinha dito ao Luisinho, que trabalhava comigo no sindicato, que me avisasse sempre que aparecesse uma viúva bonitinha. Quando a Marisa apareceu, ele foi me chamar”.

Comento
Entendeu, leitor amigo? Era morrer um representante da “craçe trabaiadora”, Lula estava ali, preparado, para “papar” a carente mulher do defunto. Se eu fosse esquerdista, construiria aqui um raciocínio demonstrando que Lula cresceu sobre os cadáveres da classe operária. Mas eu não sou. A abordagem que me interessa é a do caráter dos indivíduos. Então afirmo que Lula abusava de sua posição institucional, política, para obter uma vantagem que era, convenham, absolutamente individual. E isso expõe a diferença entre individualismo e oportunismo.

Que outro brasileiro teria sobrevivido politicamente à confissão de que usava o sindicato para “papar” a mulher de companheiros mortos? Lula sobreviveu. E se tornou um mito. Não sei se o filme mostra todo o seu empenho em conquistar as viúvas. A turma da hagiografia vai dizer que ele fizera aquele pedido porque estava em busca de uma “esposa”. O seu pensamento enquanto o taxista contava as suas agruras diz tudo: “Qualquer dia eu vou papar a nora desse velho…”

Na vida de Lula, tudo termina em filme. A “nora do velho” que ele prometera “papar” era, o que ele só soube depois, justamente… Marisa! Não é demais? Sua antevisão se consumou. Só que, consta, ele casou primeiro e “papou” depois. Mirian Cordeiro, tornada a bruxa nacional pelos adoradores de Lula, é desse período. Ele próprio já confessou que a abandonou grávida. Papou e largou. Nem todas as filhas e mulheres da classe operária que cruzaram com Lula tiveram a mesma sorte…

Ainda comentarei por estes dias outros aspectos da entrevista. Uma coisa é certa: o mito estava em construção — e a excelente entrevista feita pela Playboy — 13 páginas — não deixa de ser parte dessa construção. Mas que se releve: embora seja simpática a Lula e o trate sempre com admiração (e alguma benevolência), revela de modo indubitável que o sindicalista era o pai do presidente. Tudo estava devidamente anunciado ali.


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Abaixo, a pornografia intelectual de Lula continua, agora ele fala de seus ídolos.



TRINTA ANOS DE LULA: OS HOMENS ADMIRÁVEIS
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009 | 4:49

Publiquei ontem alguns trechos da entrevista de Lula à revista Playboy em julho de 1979 e fiz uma pequena provocação intelectual: “O sindicalista é o pai do homem”. Acho que há mais trechos que os eleitores têm o direito de ler. Sacrifico-me por vocês. Como não está na Internet, tenho de digitá-los. Mas não me importo. Tudo pelo esclarecimento.

Os trechos que vocês lerão em vermelho são fortes, sim. Não fosse o Brasil, hoje, amigo de todas as ditaduras que há no planeta; não tivesse o governo Lula estendido o tapete vermelho para o um delinqüente como Mahamoud Ahmadinejad, censurado na ONU uma semana depois, com os votos de Rússia e China, mas sem o voto do Brasil; não tivesse flertado o Itaramaty, por vias oblíquas, até com o terrorismo das Farc, e a fala de Lula de 30 anos atrás não teria relevância. Mas, infelizmente, tem. Vamos lá.

(…)
Playboy – Há alguma figura de renome que tenha inspirado você? Alguém de agora ou do passado?



Lula [pensa um pouco]- Há algumas figuras que eu admiro muito, sem contar o nosso Tiradentes e outros que fizeram muito pela independência do Brasil (…). Um cara que me emociona muito é o Gandhi (…). Outro que eu admiro muito é o Che Guevara, que se dedicou inteiramente à sua causa. Essa dedicação é que me faz admirar um homem.

Playboy – A ação e a ideologia?

Lula – Não está em jogo a ideologia, o que ele pensava, mas a atitude, a dedicação. Se todo mundo desse um pouco de si como eles, as coisas não andariam como andam no mundo. (…)



Playboy – Alguém mais que você admira?

Lula [pausa, olhando as paredes] - O Mao Tse-Tung também lutou por aquilo que achava certo, lutou para transformar alguma coisa.

Playboy – Diga mais…

Lula – Por exemplo… O Hitler, mesmo errado, tinha aquilo que eu admiro num homem, o fogo de se propor a fazer alguma coisa e tentar fazer.



Playboy – Quer dizer que você admira o Adolfo?

Lula – [enfático] Não, não. O que eu admiro é a disposição, a força, a dedicação. É diferente de admirar as idéias dele, a ideologia dele.

Playboy – E entre os vivos?

Lula [pensando] – O Fidel Castro, que também se dedicou a uma causa e lutou contra tudo.

Playboy – Mais.



Lula – Khomeini. Eu não conheço muito a coisa sobre o Irã, mas a força que o Khomeini mostrou, a determinação de acabar com aquele regime do Xá foi um negócio sério.

Playboy – As pessoas que você disse que admira derrubaram ou ajudaram a derrubar governos. Mera coincidência?

Lula [rápido] – Não, não é mera coincidência, não. É que todos eles estavam ao lado dos menos favorecidos.

(…)

Playboy – No novo Irã, já foram mortas centenas de pessoas. Isso não abala a sua admiração pelo Khomeini?

Lula – É um grande erro… (…) Ninguém pode ter a pretensão de governar sem oposição. E ninguém tem o direito de matar ninguém. Nós precisamos aprender a conviver com quem é contra a gene, com quem quer derrubar a gente. (…) É preciso fazer alguma coisa para ganhar mais adeptos, não se preocupar com a minoria descontente, mas se importar com a maioria dos contentes.

Voltei
Que coisa, não? O único do grupo que não é um facínora, um assassino contumaz, um homicida frio, é Gandhi. Mas Gandhi, convenham, é a Portuguesa de Desportos das figuras ilustres da humanidade. Se a Portuguesa está em campo, e o adversário não é o nosso time, a gente torce pra quem?

Os outros… A referência a Hitler se presta a uma ironia sinistra: “O Hitler, mesmo errado, tinha aquilo que eu admiro num homem, o fogo de se propor a fazer alguma coisa e tentar fazer”. Sem dúvida, o homem era o senhor do fogo…

Lula mudou? Digamos que alguns facínoras foram acrescentados à sua galeria: Ahmadinejad, Khadafi, Omar Hassan Ahmad al-Bashir (o genocida do Sudão)… Fidel, bem…, a múmia, rejeitada até pelo diabo, continua objeto de culto…

De todas as admirações, esta que diz pouco se importar com ideologia é, sem dúvida, a mais perigosa. Afinal, 30 anos depois daquela entrevista, indagado se não se incomodava em receber Ahmadinejad, que nega o holocausto dos judeus, promovido por Hitler – aquele que “tinha o fogo de se propor a fazer alguma coisa”, Lula respondeu:
“Muito pelo contrário. Não estou preocupado com judeus nem com árabes. Estou preocupado com a relação do estado brasileiro com o estado iraniano. Temos uma relação comercial, queremos ter uma relação política”.

O sindicalista, como se vê, era mesmo o pai do presidente.

Blog Reinaldo Azevedo - http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Info e imagem: Veja, Blog Reinaldo Azevedo

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Por que agora?

Em recente artigo publicado no jornal a Folha de São Paulo, César Benjamin, militante de esquerda e um dos fundadores do PT, afirmou ter escutado de Lula um episódio no qual nosso moderado presidente teria tentado "subjugar" um outro prisioneiro no DOPS nos anos 80.

O artigo foi amplamente criticado pelo governo, centrais sindicais e carregadores de bandeira de plantão.

Em um novo artigo, César Benjamin explica os motivos que o levaram a publicar o que ouviu quase 30 anos depois.

Leia abaixo o artigo.

Por que agora?

CÉSAR BENJAMIN
ESPECIAL PARA A FOLHA

DEIXO de lado os insultos e as versões fantasiosas sobre os "verdadeiros motivos" do meu artigo "Os Filhos do Brasil". Creio, porém, que devo esclarecer uma indagação legítima: "por quê?", ou, em forma um pouco expandida, "por que agora?". A rigor, a resposta já está no artigo, mas de forma concisa. Eu a reitero: o motivo é o filme, o contexto que o cerca e o que ele sinaliza.
Há meses a Presidência da República acompanha e participa da produção desse filme, financiado por grandes empresas que mantêm contratos com o governo federal.
Antes de finalizado, ele foi analisado por especialistas em marketing, que propuseram ajustes para torná-lo mais emotivo.
O timing do lançamento foi calculado para que ele gire pelo Brasil durante o ano eleitoral. Recursos oriundos do imposto sindical -ou seja, recolhidos por imposição do Estado- estão sendo mobilizados para comprar e distribuir gratuitamente milhares de ingressos. Reativam-se salas pelo interior do país e fala-se na montagem de cines volantes para percorrerem localidades que não têm esses espaços. O objetivo é que o filme seja visto por cerca de 5 milhões de pessoas, principalmente pobres.
Como se fosse pouco, prepara-se uma minissérie com o mesmo título para ser exibida em 2010 pela nossa maior rede de televisão que, como as demais, também recebe publicidade oficial. Desconheço que uma operação desse tipo e dessa abrangência tenha sido feita em qualquer época, em qualquer país, por qualquer governante. Ela sinaliza um salto de qualidade em um perigoso processo em curso: a concentração pessoal do poder, a calculada construção do culto à personalidade e a degradação da política em mitologia e espetáculo. Em outros contextos históricos isso deu em fascismo.
O presidente Lula sabe o que faz. Mais de uma vez declarou como ficou impressionado com o belo "Cinema Paradiso", de Giuseppe Tornatore, que narra o impacto dos primeiros filmes na mente de uma criança. "O Filho do Brasil" será a primeira -e talvez a única- oportunidade de milhões de pessoas irem a um cinema. Elas não esquecerão.
Em quase oito anos de governo, o loteamento de cargos enfraqueceu o Estado. A generalização do fisiologismo demoliu o Congresso Nacional. Não existem mais partidos. A política ficou diminuída, alienada dos grandes temas nacionais. Nesse ambiente, o presidente determinou sozinho a candidata que deverá sucedê-lo, escolhendo uma pessoa que, se eleita, será porque ele quis. Intervém na sucessão em cada Estado, indicando, abençoando e vetando. Tudo isso porque é popular. Precisa, agora, do filme.
Embalado pelas pré-estreias, anunciou que "não há mais formadores de opinião no Brasil". Compreendi que, doravante, ele reserva para si, com exclusividade, esse papel. Os generais não ambicionaram tanto poder. A acusação mais branda que tenho recebido é a de que mudei de lado. Porém os que me acusam estão preparando uma campanha milionária para o ano que vem, baseada em cabos eleitorais remunerados e financiada por grandes grupos econômicos. Em quase todos os Estados, estarão juntos com os esquemas mais retrógrados da política brasileira. E o conteúdo de sua pregação, como o filme mostra, estará centrado no endeusamento de um líder.
Não há nada de emancipatório nisso. Perpetuar-se no poder tornou-se mais importante do que construir uma nação. Quem, afinal, mudou de lado? Aos que viram no texto uma agressão, peço desculpas. Nunca tive essa intenção. Meu artigo trata, antes de tudo, de relações humanas e é, antes de tudo, uma denúncia do círculo vicioso da extrema pobreza e da violência que oprime um sem-número de filhos do Brasil. Pois o Brasil não tem só um filho.
Reitero: o que escrevi está além da política. Recuso-me a pensar o nosso país enquadrado pela lógica da disputa eleitoral entre PT e PSDB. Mas, se quiserem privilegiar uma leitura política, que também é legítima, vejam o texto como um alerta contra a banalização do culto à personalidade com os instrumentos de poder da República. O imaginário nacional não pode ser sequestrado por ninguém, muito menos por um governante.
Alguns amigos disseram-me que, com o artigo, cometi um ato de imolação. Se isso for verdadeiro, terá sido por uma boa causa.

CÉSAR BENJAMIN, 55, militou no movimento estudantil secundarista em 1968 e passou para a clandestinidade depois da decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro desse ano, juntando-se à resistência armada ao regime militar. Foi preso em meados de 1971, com 17 anos, e expulso do país no final de 1976. Retornou em 1978. Ajudou a fundar o PT, do qual se desfiliou em 1995. Em 2006 foi candidato a vice-presidente na chapa liderada pela senadora Heloísa Helena, do PSOL, do qual também se desfiliou. Trabalhou na Fundação Getulio Vargas, na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na Prefeitura do Rio de Janeiro e na Editora Nova Fronteira. É editor da Editora Contraponto e colunista da Folha.


Artigo anterior

Os filhos do Brasil



CÉSAR BENJAMIN
ESPECIAL PARA A FOLHA

A PRISÃO na Polícia do Exército da Vila Militar, em setembro de 1971, era especialmente ruim: eu ficava nu em uma cela tão pequena que só conseguia me recostar no chão de ladrilhos usando a diagonal. A cela era nua também, sem nada, a menos de um buraco no chão que os militares chamavam de "boi"; a única água disponível era a da descarga do "boi". Permanecia em pé durante as noites, em inúteis tentativas de espantar o frio. Comia com as mãos. Tinha 17 anos de idade.
Um dia a equipe de plantão abriu a porta de bom humor. Conduziram-me por dois corredores e colocaram-me em uma cela maior onde estavam três criminosos comuns, Caveirinha, Português e Nelson, incentivados ali mesmo a me usar como bem entendessem. Os três, porém, foram gentis e solidários comigo. Ofereceram-me logo um lençol, com o qual me cobri, passando a usá-lo nos dias seguintes como uma toga troncha de senador romano.
Oriundos de São Paulo, Caveirinha e Português disseram-me que "estavam pedidos" pelo delegado Sérgio Fleury, que provavelmente iria matá-los. Nelson, um mulato escuro, passava o tempo cantando Beatles, fingindo que sabia inglês e pedindo nossa opinião sobre suas caprichadas interpretações. Repetia uma ideia, pensando alto: "O Brasil não dá mais. Aqui só tem gente esperta. Quando sair dessa, vou para o Senegal. Vou ser rei do Senegal".
Voltei para a solitária alguns dias depois. Ainda não sabia que começava então um longo período que me levou ao limite.
Vegetei em silêncio, sem contato humano, vendo só quatro paredes -"sobrevivendo a mim mesmo como um fósforo frio", para lembrar Fernando Pessoa- durante três anos e meio, em diferentes quartéis, sem saber o que acontecia fora das celas. Até que, num fim de tarde, abriram a porta e colocaram-me em um camburão. Eu estava sendo transferido para fora da Vila Militar. A caçamba do carro era dividida ao meio por uma chapa de ferro, de modo que duas pessoas podiam ser conduzidas sem que conseguissem se ver. A vedação, porém, não era completa. Por uma fresta de alguns centímetros, no canto inferior à minha direita, apareceram dedos que, pelo tato, percebi serem femininos.
Fiquei muito perturbado (preso vive de coisas pequenas). Há anos eu não via, muito menos tocava, uma mulher. Fui desembarcado em um dos presídios do complexo penitenciário de Bangu, para presos comuns, e colocado na galeria F, "de alta periculosia", como se dizia por lá. Havia 30 a 40 homens, sem superlotação, e três eram travestis, a Monique, a Neguinha e a Eva. Revivi o pesadelo de sofrer uma curra, mas, mais uma vez, nada ocorreu. Era Carnaval, e a direção do presídio, excepcionalmente, permitira a entrada de uma televisão para que os detentos pudessem assistir ao desfile.
Estavam todos ocupados, torcendo por suas escolas. Pude então, nessa noite, ter uma longa conversa com as lideranças do novo lugar: Sapo Lee, Sabichão, Neguinho Dois, Formigão, Ari dos Macacos (ou Ari Navalhada, por causa de uma imensa cicatriz que trazia no rosto) e Chinês. Quando o dia amanheceu éramos quase amigos, o que não impediu que, durante algum tempo, eu fosse submetido à tradicional série de "provas de fogo", situações armadas para testar a firmeza de cada novato.
Quando fui rebatizado, estava aceito. Passei a ser o Devagar. Aos poucos, aprendi a "língua de congo", o dialeto que os presos usam entre si para não serem entendidos pelos estranhos ao grupo.
Com a entrada de um novo diretor, mais liberal, consegui reativar as salas de aula do presídio para turmas de primeiro e de segundo grau. Além de dezenas de presos, de todas as galerias, guardas penitenciários e até o chefe de segurança se inscreveram para tentar um diploma do supletivo. Era o que eu faria, também: clandestino desde os 14 anos, preso desde os 17, já estava com 22 e não tinha o segundo grau. Tornei-me o professor de todas as matérias, mas faria as provas junto com eles.
Passei assim a maior parte dos quase dois anos que fiquei em Bangu. Nos intervalos das aulas, traduzia livros para mim mesmo, para aprender línguas, e escrevia petições para advogados dos presos ou cartas de amor que eles enviavam para namoradas reais, supostas ou apenas desejadas, algumas das quais presas no Talavera Bruce, ali ao lado. Quanto mais melosas, melhor.
Como não havia sido levado a julgamento, por causa da menoridade na época da prisão, não cumpria nenhuma pena específica. Por isso era mantido nesse confinamento semiclandestino, segregado dos demais presos políticos. Ignorava quanto tempo ainda permaneceria nessa situação.
Lembro-me com emoção -toda essa trajetória me emociona, a ponto de eu nunca tê-la compartilhado- do dia em que circulou a notícia de que eu seria transferido. Recebi dezenas de catataus, de todas as galerias, trazidos pelos próprios guardas. Catatau, em língua de congo, é uma espécie de bilhete de apresentação em que o signatário afiança a seus conhecidos que o portador é "sujeito-homem" e deve ser ajudado nos outros presídios por onde passar.
Alguns presos propuseram-se a organizar uma rebelião, temendo que a transferência fosse parte de um plano contra a minha vida. A essa altura, já haviam compreendido há muito quem eu era e o que era uma ditadura.
Eu os tranquilizei: na Frei Caneca, para onde iria, estavam os meus antigos companheiros de militância, que reencontraria tantos anos depois. Descumprindo o regulamento, os guardas permitiram que eu entrasse em todas as galerias para me despedir afetuosamente de alunos e amigos. O Devagar ia embora.



São Paulo, 1994. Eu estava na casa que servia para a produção dos programas de televisão da campanha de Lula. Com o Plano Real, Fernando Henrique passara à frente, dificultando e confundindo a nossa campanha.
Nesse contexto, deixei trabalho e família no Rio e me instalei na produtora de TV, dormindo em um sofá, para tentar ajudar. Lá pelas tantas, recebi um presente de grego: um grupo de apoiadores trouxe dos Estados Unidos um renomado marqueteiro, cujo nome esqueci. Lula gravava os programas, mais ou menos, duas vezes por semana, de modo que convivi com o americano durante alguns dias sem que ele houvesse ainda visto o candidato.
Dizia-me da importância do primeiro encontro, em que tentaria formatar a psicologia de Lula, saber o que lhe passava na alma, quem era ele, conhecer suas opiniões sobre o Brasil e o momento da campanha, para então propor uma estratégia. Para mim, nada disso fazia sentido, mas eu não queria tratá-lo mal. O primeiro encontro foi no refeitório, durante um almoço.
Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: "Você esteve preso, não é Cesinha?" "Estive." "Quanto tempo?" "Alguns anos...", desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: "Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta".
Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de "menino do MEP", em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do "menino", que frustrara a investida com cotoveladas e socos.
Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o "menino do MEP" nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.
O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu.



Dias depois de ter retornado para a solitária, ainda na PE da Vila Militar, alguém empurrou por baixo da porta um exemplar do jornal "O Dia". A matéria da primeira página, com direito a manchete principal, anunciava que Caveirinha e Português haviam sido localizados no bairro do Rio Comprido por uma equipe do delegado Fleury e mortos depois de intensa perseguição e tiroteio. Consumara-se o assassinato que eles haviam antevisto.
Nelson, que amava os Beatles, não conseguiu ser o rei do Senegal: transferido para o presídio de Água Santa, liderou uma greve de fome contra os espancamentos de presos e perseverou nela até morrer de inanição, cerca de 60 dias depois. Seu pai, guarda penitenciário, servia naquela unidade.
Neguinho Dois também morreu na prisão. Sapo Lee foi transferido para a Ilha Grande; perdi sua pista quando o presídio de lá foi desativado. Chinês foi solto e conseguiu ser contratado por uma empreiteira que o enviaria para trabalhar em uma obra na Arábia, mas a empresa mudou os planos e o mandou para o Alasca. Na última vez que falei com ele, há mais de 20 anos, estava animado com a perspectiva do embarque: "Arábia ou Alasca, Devagar, é tudo as mesmas Alemanhas!" Ele quis ir embora para escapar do destino de seu melhor amigo, o Sabichão, que também havia sido solto, novamente preso e dessa vez assassinado. Não sei o que aconteceu com o Formigão e o Ari Navalhada.
A todos, autênticos filhos do Brasil, tão castigados, presto homenagem, estejam onde estiverem, mortos ou vivos, pela maneira como trataram um jovem branco de classe média, na casa dos 20 anos, que lhes esteve ao alcance das mãos. Eu nunca soube quem é o "menino do MEP". Suponho que esteja vivo, pois a organização era formada por gente com o meu perfil. Nossa sobrevida, em geral, é bem maior do que a dos pobres e pretos.
O homem que me disse que o atacou é hoje presidente da República. É conciliador e, dizem, faz um bom governo. Ganhou projeção internacional. Afastei-me dele depois daquela conversa na produtora de televisão, mas desejo-lhe sorte, pelo bem do nosso país. Espero que tenha melhorado com o passar dos anos.
Mesmo assim, não pretendo assistir a "O Filho do Brasil", que exala o mau cheiro das mistificações. Li nos jornais que o filme mostra cenas dos 30 dias em que Lula esteve detido e lembrei das passagens que registrei neste texto, que está além da política. Não pretende acusar, rotular ou julgar, mas refletir sobre a complexidade da condição humana, justamente o que um filme assim, a serviço do culto à personalidade, tenta esconder.


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Robin Williams enlouquece macacos brasileiros

Se Homer Simpson desembarcasse no Brasil amanhã, não perceberia muitas diferenças desde sua última visita. Os sequestros continuam acontecendo e os macacos continuam atacando. O último ataque veio como uma reação a uma piada boba do ator Robin Williams.

Williams comentou no programa do humorista David Letterman que o Rio de Janeiro teria sido escolhida a cidade sede das Olimpíadas de 2016 por ter enviado como representantes "50 strippers e meio quilo de pó." Ha, Ha, Ha.

A piada foi dita no início da entrevista e logo esquecida, mas foi o suficiente para os macacos terem um surto de ferocidade primitiva. Tomados por uma cólera insana, avançaram contra o ator brandindo seus tacapes nacionalistas. Uma ofensa, para funcionar, precisa ser aceita. Parece que a carapuça serviu.

Discutir a piada de um humorista faz tanto sentido quanto censurar um jornal pela publicação de uma charge. E ambas as situações são potencialmente perigosas.

Já faz alguns anos desde a visita de Homer Simpson. De lá para cá não evoluimos em nada.


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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Lula deixa sua marca no Planalto

O governo petista acaba de imortalizar sua filisofia administrativa no símbolo máximo da morosidade pública: o Palácio do Planalto. O que era antes uma celebração ao mau-gosto e à megalomania recebeu em sua mais recente reforma o signo da adoração ao pobrismo: um "puxadinho". Lula finalmente deixou sua marca no Planalto. Nada mais apropriado.

Matéria publicada pela Folha de São Paulo - 30/11/09
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foco

Palácio do Planalto ganha "puxadinho" que altera fachada de obra tombada

LULA MARQUES
ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O Palácio do Planalto ganhou um "puxadinho" que descaracteriza a fachada da obra. Construído nos anos 1950, o prédio no qual trabalha o presidente da República está sendo restaurado desde o mês de março, mas somente agora as mudanças começam a ser visíveis.

O bloco de concreto esconderá boa parte dos arcos que caracterizam o projeto de Oscar Niemeyer, o que gerou polêmica no Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Venceu, porém, a tese de que a obra era necessária para garantir a segurança do presidente da República e dos demais usuários do prédio.

O órgão acabou por autorizar a construção do "puxadinho" com o argumento de que ele fica atrás do palácio e esconderá uma escada de emergência e um elevador. O técnico do Iphan no DF, Eduardo Rossetti, disse que "tudo é muito polêmico" nas discussões do órgão, e que esta foi apenas mais uma delas.
"O ângulo privilegiado do palácio é feito a partir da praça dos Três Poderes. E deste ponto de vista a caixa é invisível. O palácio é uma obra dos anos 50, que não tinha as exigências de segurança atuais."

Segundo o técnico do Iphan, o "puxadinho" é eliminável e pode ser removido a qualquer tempo sem prejudicar o prédio. O palácio é tombado, mas o Iphan explicou que nesses casos de segurança pode haver mudanças no projeto original. "É o próprio autor atuando sobre a obra."

Carlos Magalhães, do escritório de Niemeyer em Brasília, disse que o arquiteto aprovou a construção do "puxadinho". "Passam pelo prédio de 600 a 700 pessoas. É uma questão de segurança. A escada que tinha lá era de um metro de largura, agora estamos atendendo as exigências de segurança do Corpo de Bombeiros", afirmou ele.

Outra polêmica é sobre os azulejos pintados pelo artista Athos Bulcão. A equipe de Niemeyer e o Iphan não se entendem sobre o que fazer com as peças utilizadas até então para disfarçar duas casas de máquinas que agora serão destruídas. Enquanto para a equipe de Niemeyer poderiam ficar encaixotados, o Iphan quer colocá-los à mostra. "É algo alienígena. Foi feito depois da construção do palácio, na época do regime militar", afirmou Magalhães.

O plano do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é inaugurar a obra em abril de 2010, dentro do cronograma definido. Enquanto isso, Lula e outros cinco ministros que despachavam no local, entre eles Dilma Rousseff (Casa Civil), trabalham no Centro Cultural do Banco do Brasil. O custo da obra, segundo o Palácio do Planalto, é de R$ 78,8 milhões.

sábado, 5 de setembro de 2009

Falta papel para limpar a m... de Cuba

Paraíso na Terra? Ou aterro do inferno?

Nós já tinhamos entendido, mas "eles" insistem em querer mostrar como Cuba é um lugar fantástico e romântico, que se preocupa com seus cidadãos.

Depois da escassez de comida, agora a novidade é que falta papel higiênico na ilha de Fidel. Sem poder contar com esse luxo burguês distribuído pelo governo, os Cubanos se voltam para as cópias dos Jornais oficiais Granma, Juventud Rebelde e Trabajadores.

Essa é a república socialista, desejada e cultuada por tantos carregadores de bandeira que não tem coragem de se tornar um cidadão Cubano. Ao menos os Cubanos já deram um destino apropriado para o que Fidel e sua turma escrevem.

Leia a notícia publicada pela Revista Veja no blog arquivoetc aqui.

Info e imagem: Veja

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Frase democrática

"A liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis consentem"

Montesquieu

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Lula exercita o oportunismo

Discursando no lançamento do projeto de revitalização da zona portuária do Rio, Lula proferiu a bobagem de que preferia dar dinheiro aos pobres ao invés de desonerar impostos. Disse que já desonerou 100 bilhões de reais de impostos mas que preferia repassar esse dinheiro aos pobres.

Os absurdos continuaram a medida que ele abria a boca. Garantiu que os empresários não repassam a desoneração tributária nos preços finais dos produtos. Lula adora mentir diante de sua plateia preferida: a população, vamos dizer, "desavantajada" de informação. Para tipos como Lula é importante manter seus eleitores na ilusão. Éfácil fazê-los acreditar nas promessas mentirosas e descaradas.

Além de hostilizar os empresários, ele se aproveita da falta de conhecimento de muitos brasileiros e do descrédito político, para posar de grande salvador. Lula está pouco se lixando quanto a repassar dinheiro aos pobres. O fato é que por causa das medidas de desoneração tributária - bastante tímidas na verdade - e por causa da crise financeira, a arrecadação dimunuiu e está obrigando o governo a cortar gastos. E não há mal nenhum nisso. Ocorre que o dinheiro arrecadado pelo governo não vai para "os pobres", serve para alimentar a máquina ineficaz do funcionalismo petista.

Tomemos como exemplo a medida de redução de impostos sobre veículos (IPI), os preços ao contrário do que Lula disse, caíram sim e as vendas aumentaram. Acontece que na cabeça oportunista de Lula e seus aliados, custa a entrar a verdade básica: com menos impostos o preço dos produtos cai, as vendas aumentam e esse aumento nas vendas contribui para elevar a arrecadação de impostos.

O governo brasileiro gasta muito e gasta mal. A CPMF que Lula garante que ia para a saúde, servia na verdade para pagar os juros da dívida do governo.

Lula mente de maneira absurda, a diferença é que faz isso para uma plateia que sabe que não irá incomodá-lo com fatos. Conveniente, não? No subtexto o que o Lula diz na verdade é "mais impostos é bom pra mim".

terça-feira, 23 de junho de 2009

Celso Amorim: é zorrilho na cabeça!












Em entrevista ao programa Roda-Viva da TV Cultura, Celso Amorim, Ministro de Relações Exteriores do Governo Lula, reafirmou a defesa feita pelo Presidente à legitimidade das eleições do Irã. O Lula garante que a porcentagem de 63% dos votos comprova que a eleição foi limpa, pois a diferença entre o vencedor e o perdedor foi muito grande. Parece até piada. Levando-se em consideração que no Cazaquistão, país recentemente visitado por Lula, o mesmo presidente está no poder desde 1990 e se reelege com 90% dos votos. Essa tese de diferença grande de votos normalmente tem o efeito contrário ao que Lula prega, servindo para comprovar fraudes descaradas.

E esse papo de não interferência nos assuntos de outros países é apenas uma desculpa para ser conivente com abusos cometidos por regimes totalitários com a intenção de fazer negócios futuros com governos sujos e que pisoteiam sobre a democracia e sobre seu próprio povo. É um grande desrespeito com pessoas que morrem em conseqüência de tais violências.

Celso Amorim, com seu cabelo semelhante ao pêlo de um zorrilho, têm ideias que cheiram ainda pior.

sábado, 20 de junho de 2009

Mais armas significam menos crimes

Leiam o artigo feito pelo Professor John R. Lott Jr. da Escola de Direito da Universidade de Chicago, no link abaixo.
http://www.armaria.com.br/maisarma.htm

Artigos por John R. Lott Jr. (em inglês) clique no link abaixo

http://www.lewrockwell.com/lott/lott-arch.html

Entrevista com John R. Lott Jr (em inglês) clique no link abaixo

http://www.press.uchicago.edu/Misc/Chicago/493636.html

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Explanando

O seguinte pensamento justifica o jeito de ser dos petistas.

"Quando a corrupção é praticada pelos outros, os petistas a criticam, quando a corrupção é praticada por eles, os petistas a justificam".

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Lula, o ético

Lula tem um dom e é indiscutível, o de estar sempre no lado errado quando o assunto é sujeira, desonestidade ou corrupção. Com relação aos recentes escândalos que assombram o Senado, não teve dúvida, saiu em defesa do presidente do Senado e eterno coronel José Sarney. E como sempre, distorceu o foco das denúncias, alegando que as críticas teriam o objetivo de desmoralizar o Senado.

Nos últimos dias, Sarney foi acusado de receber auxílio moradia de R$3.800, apesar de ter residência própria em Brasília, encher o Senado de parentes e esconder nomeações através de atos secretos. Lula tem razão, Sarney está trabalhando para fortalecer o Senado.

Discursando no conselho de direitos humanos da ONU, Lula garantiu que a diplomacia brasileira não defende nem dá prioridades à ditaduras, para logo em seguida dizer que não vê nada de errado com as eleições do Irã, na contramão de diversos líderes europeus e do povo Iraniano. Fechou com chave de ouro ao comparar os protestos da oposição iraniana a um jogo entre Flamengo e Vasco. Talvez no último jogo entre os times tenham morrido sete pessoas, como até agora morreram nos protestos no Irã. Ainda emendou que o Brasil não se importaria de receber o "presidente" Iraniano e que tem interesse em construir parcerias com o país. Um homem que realmente sabe do que está falando.

Ao comentar sobre a crise do Senado, Lula pontuou: "é importante pensar na preservação das instituições e separar o joio do trigo". Pelo menos Lula já deixou claro em qual lado ele se encaixa.

Podem aplaudir, carregadores de bandeira.


Leia abaixo a ridícula entrevista que José Sarney concedeu ao jornal Folha de São Paulo, publicada na edição de ontem.

Sarney diz que não errou e que não deixa presidência


Acuado por uma série de desvios administrativos dentro do Senado, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), 79 anos, afirma que não errou ao indicar parentes para cargos na Casa e que não irá renunciar. Diz, sem citar nomes, suspeitar de sabotagem interna.
Considera necessário mudar regras, mas afirma que erros praticados no passado podem ficar sem punição, pois "cada um deve julgar o que fez de errado e de certo". Inquieto, mexendo os joelhos de maneira intermitente enquanto estava sentado em um sofá em seu gabinete, Sarney afirmou que vai "exercer [o cargo] até o fim".
A onda de escândalos no Congresso, que se intensificou na Legislatura iniciada em fevereiro, atingiu Sarney em cheio nos últimos dias. Rebate todas as acusações. Reafirma não ter percebido que recebia R$ 3.800 de auxílio-moradia por mês. A nomeação de um neto teria sido à sua revelia. Sobre as sobrinhas, considera não haver erro.
Durante 55 minutos de entrevista, o senador maranhense que se elege pelo Amapá tomou apenas meio copo de água. No meio da atual onda de escândalos, relata ter chegado a uma conclusão: "Há uma tendência de buscar democracia direta. Tudo aponta nesse sentido".

FOLHA - Como o sr. avalia a onda de escândalos envolvendo o Senado e o sr.?
JOSÉ SARNEY
- A vida sempre me reservou desafios. A crise da democracia representativa está atingindo todos os Parlamentos no mundo inteiro.

FOLHA - Por culpa de quem?
SARNEY
- A notícia em tempo real transformou o Parlamento, ele fica quase envelhecido. Em face disso há uma divergência de saber quem realmente representa o povo. É a mídia eletrônica, são as ONGs, é a sociedade civil ou os representantes eleitos? Esse é o grande problema que estamos vivendo.

FOLHA - O sr. contratou a Fundação Getúlio Vargas para fazer uma reforma administrativa no Senado. Agora, o sr. também tem aparecido em meio a acusações de comportamento impróprio. O que aconteceu?
SARNEY
- Olha, eu acho que eu tenho um nome que deve ser julgado com respeito pelo país. Eu tenho uma biografia, nunca alguém associou minha vida pública ao nepotismo. Os fatos que colocaram estou mandando examinar. O que estiver errado, se corrija. Se eu tiver algum erro, eu sou o primeiro a corrigir. Mas acho que nunca conduzi de outra maneira que não fosse com correção.

FOLHA - E o caso do seu neto, contratado pelo senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA)?
SARNEY
- Depois de eu ter sido tudo, se eu fosse acusado de ter nomeado um neto era realmente um julgamento que seria injusto. Eu não pedi ao senador. Disse isso e ele confirmou. E, se ele tivesse me consultado, teria sido o primeiro a dizer não.

FOLHA - Quando o sr. soube, qual foi sua reação?
SARNEY
- Ele próprio saiu. Já era um problema a ser administrado pelo Cafeteira. O que a imprensa tem de entender é que aqui dentro do Senado temos 81 repartições. Cada senador é o chefe do seu gabinete. Quem nomeia é ele.

FOLHA - Seu neto saiu por conta do nepotismo, mas entrou no lugar a mãe dele. O sr. soube disso?
SARNEY
- Eu não sou responsável pelo gabinete do Cafeteira.

FOLHA - O que o sr. acha da afirmação do senador Cafeteira de que nomeou seu neto por dever favores a seu filho, Fernando Sarney?
SARNEY
- Você acha que eu, como presidente do Senado, tenho minha biografia, vou discutir uma coisa dessa? Não vou discutir um assunto desse. Minha resposta para vocês é essa.

FOLHA - E os outros casos relacionados ao sr.: duas sobrinhas empregadas em gabinetes de senadores, de Roseana Sarney (PMDB-MA) e de Delcídio Amaral (PT-MS).
SARNEY
- Esse é um caso que está sendo estudado, porque parece que ele foi colocado agora. Eu pedi para ser investigado. Eu acho que há uma certa armação no caso da Roseana, na publicação de que foi ato secreto. Esse problema, que não é meu, a chefe de gabinete dela diz que os dados não conferem. Está sendo analisado.

FOLHA - E do Delcídio?
SARNEY
- Do Delcídio, eu realmente pedi a ele, uma sobrinha da minha mulher, funcionária de carreira do Ministério da Agricultura, mudou-se para Mato Grosso do Sul, pedi que ela fosse requisitada para trabalhar no gabinete dele. Eu acho que não tem nenhum erro em ter feito esse pedido a ele.

FOLHA - Há atos secretos?
SARNEY
- Estou convencido de que há muitas falhas, que pode ter havido não publicações. Vamos examinar.

FOLHA - O ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia disse que os senadores conheciam os atos secretos. É correta a afirmação?
SARNEY
- Eu nunca soube.

FOLHA - Mas o que aconteceu? Os atos não eram públicos...
SARNEY
- Não sei. Isso nós estamos tentando apurar.

FOLHA - Quando Agaciel deixou a direção-geral do Senado, o sr. o saudou pelos serviços prestados. Mantém a mesma opinião sobre ele?
SARNEY
- É um assunto de ordem pessoal, de valor, que acho que não cabe numa entrevista.

FOLHA - Até agora, nenhum congressista foi punido e poucos devolveram dinheiro gasto indevidamente. Isso não produz uma sensação de impunidade?
SARNEY
- A população pode até contestar a validade do Congresso. A democracia não vive sem Parlamento. E Parlamento fraco, desmoralizado, é desejo de segmentos da sociedade.

FOLHA - Esse enfraquecimento não ocorre por causa da resposta tímida dos congressistas? No episódio do auxílio-moradia pago indevidamente, inclusive ao sr., não seria o caso de todos devolverem o dinheiro?
SARNEY
- Nunca tinha recebido auxílio-moradia. Recebi por oito meses. Mandei interromper ao saber. Quanto aos outros, cada um fará o seu julgamento.

FOLHA - O sr. devolveu o dinheiro ao Senado?
SARNEY
- Vou ressarcir. Está em estudo como é que se deve proceder. Isso será um gesto pessoal, meu.

FOLHA - Os outros estão obrigados a devolver o dinheiro?
SARNEY
- Não. Isso é uma decisão pessoal. Acho que é da lei. Eles estão usufruindo benefício que é extensivo ao funcionário público de maneira geral.

FOLHA - O Congresso é o maior responsável pela crise?
SARNEY
- Sim, claro que o Congresso tem responsabilidade. Estamos num período de exaustão do modelo de democracia representativa. Há uma tendência de buscar uma democracia direta. Tudo aponta nesse sentido.

FOLHA - O sr. se arrepende de sua candidatura a presidente do Senado? Pensou em renunciar?
SARNEY
- Não. Minha vida foi sempre feita de desafios. Vou exercer até o fim.

FOLHA - De todos os desvios que estão acusando o sr., qual o sr. considera erro mais grave?
SARNEY
- Não tenho nenhuma responsabilidade sobre o auxílio-moradia. No caso da minha sobrinha, eu estou assumindo. Não cometi erro nenhum. Querer julgar toda a minha vida por eu ter pedido por uma sobrinha de minha mulher, acho extremamente errado, uma injustiça em relação a mim. Eu deveria ser julgado com mais respeito. Sou o parlamentar mais antigo neste país. Estou fazendo um esforço grande na minha idade.

FOLHA - Está sendo sabotado?
SARNEY
- Não descarto essa hipótese. Até porque falam dos atos secretos, mas só aparecem os meus. Não tenho provas.

Por FERNANDO RODRIGUES
VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA