sexta-feira, 5 de junho de 2009

Miopia jornalística


Em uma notícia da Folha de São Paulo do dia 5 de maio referindo-se ao discurso "histórico" de Obama no Cairo, "Contrariando Israel presidente cita Palestina e admite Irã nuclear", foi dito o seguinte: "Israel, o único país do Oriente Médio a ter armas nucleares acusa o governo Iraniano de enriquecer urânio para produzir bombas atômicas destinadas a atacar o estado judaico".

A notícia foi escrita pela redação da Folha e a frase sugere uma certa hipocrisia do governo de Israel, pois como pode Israel criticar o governo vizinho se ele próprio é o único país do Oriente Médio a possuir bombas atômicas? O que talvez falte dizer na notícia é que Israel, é A ÚNICA DEMOCRACIA DO ORIENTE MÉDIO e que o Irã possui um governo extremista que usa a religião para pregar ABERTAMENTE a destruição do estado judaico, além de ser um dos principais financiadores dos grupos terroristas, Hizbollah e Hamas.

Como pode Israel ter confiança em um programa nuclear de um país como esse? É comum criticar o estado de Israel e fazer vista grossa às atitudes das ditaduras que o cercam. Um erro grosseiro que sempre que possível precisa ser corrigido e lembrado.

Em um artigo publicado no Wall Street Journal em 18 de março de 2009, a estudiosa Nonie Darwish, autora do livro "Cruel and usual punishment", e que cresceu na faixa de Gaza e no Cairo declara: "a mídia tende a atribuir o declínio de Gaza exclusivamente às ações militares e econômicas de Israel contra o Hamas. Mas tal análise miópica ignora a principal causa do problema: sessenta anos de política árabe centrada em estabelecer o status do povo palestino como refugiados sem estado para usar o seu sofrimento como uma arma contra Israel". A matéria na íntegra está aqui.

A mídia brasileira ainda é ingênua demais para enxergar os fatos. Talvez seja uma boa hora de marcar uma consulta com um oculista. A Folha de São Paulo devia deixar os princípios que regem o jornal mais claros para sua própria redação: "realizar um jornalismo crítico, apartidário e pluralista. Do ponto de vista político sustenta a democracia representativa, a economia de mercado, os direitos do homem e o debate dos problemas sociais colocados pelo subdesenvolvimento".

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